Andei a ler uns blogs acerca da maternidade, blogs de mães que partilham a aventura de criar pequenos seres humanos e digo pequenos porque tanto quanto posso perceber a maior parte são jovens mães com filhos ainda de tenra idade. O que li fez-me pensar.
Queria muito ser mãe e quando penso numa miniatura da minha pessoa (e do pai) a cirandar pela casa, a fazer tropelias e com a frescura própria de quem ainda não tem o pensamento e as opiniões viciadas dá-me um ataque de ternura que sinto como se fosse um amor incondicional por um ser que ainda não existe. Claro que isto não passa de uma projecção, mas há coisas que sabemos que nunca faremos, que no fundo nunca seremos e outras que vivem em nós, adormecidas. Parece-me ser o caso.
Ser mãe e pai é uma grande responsabilidade, é educar as pessoas do futuro é dar-lhes as bases que farão delas grandes mulheres e grandes homens. E convém lembrar que as pequenas ternurinhas crescem e que é preciso estar atento e não as perder no processo. E esta responsabilidade não tem a ver só com dinheiro ou apenas de coisas materiais, mas de tempo, tempo a sério, tempo para tudo e não apenas de qualidade. Tempo para lhes dar banho e ler uma história, para lhes ralhar, para brincar, para os ouvir e para os sentir. E é por isso que não acredito no tão falado tempo de qualidade. Este tempo curtinho com uma espécie de selo de garantia é isso mesmo, curto, porque os laços e a confiança criam-se nos pequenos nadas do dia-a-dia: nas birras, nas cócegas, nas zangas, nos passeios e naqueles minutos em que nada parece acontecer, mas o tempo passa e enquanto os ponteiros do relógio mexem nós vamo-nos sentido e não há nada melhor que sentir o outro e vê-lo com o coração.
Digam-me as mães se estou errada.
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